Entre chiados e ronrons: a hierarquia de um grupo de gatos

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O que é um grupo de gatos

Antes de partir para a explicação de quem manda em quem, é preciso entender o que é um grupo de gatos. Um grupo de gatos, ou colônia, é quando vários indivíduos que podem sobreviver de maneira  independente (os gatos) convivem juntos, por escolha ou imposição das paredes da nossa casa.

Isso quer dizer que cada gato consegue se manter vivo sem ajuda de outros, eles caçam sozinhos, se defendem sozinhos e podem fazer as atividades do dia a dia totalmente sozinhos, MAS gostam e se beneficiam de companhias da mesma espécie. Se tiverem opção, a maioria dos gatos escolhe conviver com outros gatos: eles tomam banho juntos, brincam juntos, dormem juntos e as fêmeas até criam os filhotes juntas.

 

Tamanho

Num ambiente ideal, os grupos de gatos têm de 3 a 4 indivíduos. Em situações extremas de falta de alimento ou abrigo, gatos ferais em liberdade formam colônias um pouco maiores. Mas quando são forçados a viver em grupos grandes, a vida dos gatos tende ao caos, surgem os párias (aquele gato que nunca sai debaixo da cama por que apanha de todos) e o stress se torna constante pela tensão sempre presente, o que leva a problemas físicos e mentais gravíssimos.

Isso acontece porque eles são muito territorialistas e mesmo em sociedade cada gato ainda precisa manter sua pequena parcela de independência: ter um cantinho para chamar de seu, a possibilidade de momentos de sossego e a liberdade de caminhar de cabeça e rabo erguidos sem outros gatos pulando no cangote.

 

Hierarquia

A natureza das relações entre os gatos torna a hierarquia do grupo algo extremamente complexo. O “esqueleto” da coisa é uma escada de dominância: um líder supremo no topo, um outro dominante no degrau logo abaixo (subordinado apenas ao líder), outro logo abaixo (subordinado ao líder e ao segundo), e assim segue. Machos jovens, saudáveis, fortes e não castrados tendem a estar no topo, mas o que realmente determina a posição é a personalidade de cada um.

O que torna a situação complexa é que a hierarquia não é fixa, por exemplo: o gato que manda no arranhador da sala pode não ser o mesmo que manda na sua cama! É a história de cada gato ter seu “espacinho”, como se fossem dois irmãos humanos, cada um tem um quarto e manda no próprio quarto.

Outra boa metáfora é a da televisão: cada irmão tem seu horário de “direito” na televisão, assim como os gatos em seus pontos preferidos. Quem tem direito ao peitoral da janela de manhã pode não ser quem tem direito à tarde ou à noite.

Além disso, a hierarquia dos gatos pode mudar e ser desafiada com frequência. Às vezes por motivos óbvios (um novo gato na casa), às vezes por motivos que nós nem imaginamos (uma mudança de atitude nossa, uma reforma no ambiente). E essa mudança pode ser tão sutil que passa despercebida, ou tão brusca que desencadeia uma série de brigas e chiados.

Existem também muitas situações em que um gato desafia seu dominante (para continuar no seu colo, por ex) e muitas situações que o dominante simplesmente não está nem aí e sai andando para tomar banho (mostrar indiferença é um sinal claro de superioridade).

 

E qual seu papel em tudo isso?

Basicamente, de manter a paz e o ambiente harmonioso! Oferecendo um ambiente enriquecido e mantendo o número de gatos adequado a esse ambiente, você já fez seu papel de super mãe ou super pai! Você deve interferir na hierarquia do grupo quando perceber que tem alguém fazendo bullying, alguém vivendo com medo, alguém que não tem vez na caixa de areia ou água ou comida… E para cada caso e cada gato existe uma terapia diferente, se surgir um problema, aqui é um bom lugar para começar a pesquisar as soluções :)

 

Foto: Amancay Maahs

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