Do medo a uma linda história de adoção

fernando e cissa

Minha história de adoção começa muito antes da nossa primeira gatinha, a Cissa.

Por mais triste que isso pareça, tive uma infância sem bichos. Minha família não era muito fã de animais de estimação e eu nunca me senti realmente atraído a cuidar de um peludo.

Eu preciso até confessar… Eu morria de medo de cachorro. Sempre parecia que eles iriam me atacar, sabe? Quando eu entrava em um pátio com cachorro não importava a pessoa, ela sempre dizia: “Nem te preocupa, o Scooby/Fred/Bob/Toby não morde.” Mas aí eu olhava para ele e me dizia no olhar: “Eu sei que tu tem medo, passa aqui pertinho de mim, passa!”

Eu superei isso aos poucos quando comecei a mudar o foco do medo da mordida pela admiração que percebi em cada gesto de amor e proteção que presenciei. Eu aprendi a identificar o carinho, o mal humor e todas as características que eles tem e o medo foi se esvaindo e deu lugar ao apego forte que me impossibilita hoje de passar por algum sem me arrancar um sorriso.

E é aqui que a história de adoção realmente começa. Casei-me com uma mulher apaixonada por bichos. Na época em que nos conhecemos, mais apaixonada pelos bichos do que por mim… Mas agora eu aceito um empate.

Vinda de uma casa cheia de dogs, adoção e muito amor pelos animais, ela se sentiu vazia na nossa casa nova e começou a plantar uma semente para a possibilidade de um dog ou até mesmo um gatinho. Fiquei um pouco receoso no início pelos gastos e cuidados necessários e pelo medo do desconhecido. Aos poucos fui amolecendo o coração e colocando o lado racional para escanteio.

Mas quem deu o golpe fulminante no meu coração foi a Cissa, homenagem a Cecília Meireles, escritora que não necessita apresentações. Ela foi achada por uma amiga juntamente com sua irmãzinha e pegou-nos na hora exata em que estávamos cogitando adotar um gatinho.

 

Cissa

Eu sinto que a Cissa tornou-me mais humano pois deixou-me presente para o fato que tantos seres perdidos como ela só querem uma lar e nada mais.

No primeiro dia, já não consegui dormir com o ronron forte que ela fazia embaixo das cobertas. Sim, eu mudei drasticamente de alguém quem não tinha e não simpatizava com bichos para um babão daqueles que fala com a voz fina e deixa ela dormir embaixo dos lençóis. E essa grande mudança só avança.

 

Sally

Alguns meses depois em uma noite no aniversário da mesma amiga que resgatou resgatou a Cissa, encontramos a Sally, uma gatinha adulta, perdida e toda machucada entrando pátio a dentro. Ela veio com uma expressão de pedido de ajuda. Tudo foi tão rápido que quando percebi ela se aproximou de mim e pulou no meu colo. Aquilo mexeu comigo.

Resultado: Algumas horas depois ela já estava no carro a caminho do seu novo lar.

Não havia outra opção. Nem uma possibilidade eu deixar aquela gatinha perdida e ferida. Mesmo eu tomando a decisão, eu sinto que ela me escolheu e essa conexão continua forte até hoje. Inclusive com algumas cenas de ciúmes de outros integrantes da família. Mas essa é outra história…

 

Benjamin

historias-de-adocao-gatosO último integrante da família, Benjamin ou, como eu gosto de chamar, ‘Gurizão’, rendeu-nos quase 3 horas de resgate. Ouvimos do 4º andar um miado sofrido e desesperado. Descemos e começamos o planejamento do resgate dentro suspensão de um carro do vizinho.

O material: Leite, ração, petiscos, potes e toalha…

Eu com medo de me machucar com as unhadas demorei o dobro do tempo para só depois perceber que o fuzzz assustador era de um minúsculo gatinho caramelo com branco. Foram as 3 horas não dormidas de tensão e execução mais felizes da minha vida até aquele momento, eu estava de fato fazendo algo que me dava orgulho e entrei efetivamente para o time dos protetores incondicionais.

A sensação de salvar um animal, que seria alvo fácil de um carro e outras coisas piores, é indescritível e fez eu entrar a fundo nessa causa.

 

Conclusão…

Mais vidas foram salvas e conseguimos outras famílias que como nós protegem e cuidam dos seus animais como verdadeiramente filhos. Cada história que vivenciamos, cada vida salva e cada ajuda que conseguimos fazer fortalece nossa causa.

Hoje, eu estufo o peito para dizer que tenho 3 vira-latas adotados, 3 vidas salvas, não compradas. E estimulo todos a minha volta a eliminar o preconceito, enxergar o carinho e a gratidão que os adotados possuem… Aprendi a respeitar e amar todo o tipo de amor pelos animais (todo mesmo) mas tenho profunda admiração por quem cuida, trata, incentiva e adota animais de rua. É uma forma simples e muito recompensadora de cultivar o amor. E de bônus você ganha aquele olhar de Gratidão do seu gato ou cachorro adotado, que não tem preço.

Essa é minha história sobre Adoção e carinho pelos animais e sinto que está só começando…

 


Fernando Rui é escritor e co-fundador da Ben T-shirts, marca inspirada no amor pelos peludos.

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