Nascemos um para o outro

Nasci no dia 04 de junho de 2010. lispector-historias-de-adocao-gatosDigo, na verdade eu tinha dois meses nesse dia. Mas foi nesta data que tudo começou, ou ao menos a minha vida de alegria. Eu não sei como tudo aconteceu. Só me lembro de um dia me colocarem em uma caixinha de papelão e tudo ficar escuro. Quando sai da caixa, chovia muito e fazia muito frio. Não sabia onde estavam meus antigos donos. Estava em um lugar chamado Pateo do Colégio no centro de São Paulo. Eu fiquei neste dia escondidinho o dia todo, pois, chovia muito.

A noite foi aproximando-se e eu fui procurar o que comer, mas não encontrei nada. Ja não conseguia voltar para a minha caixa de papelão. Foi quando vi um carro que acabara de estacionar alí perto e fui para baixo dele. Entrei em um compartimento quentinho que havia nele e por lá fiquei. Duas horas depois vi o carro se mexendo e andando. Fiquei mais quietinho ainda.

20 min depois eu vi o carro parando em um lugar sequinho. Desci e ví dois moços que sairam de lá. Não sei o porquê, mas senti que eles eram pessoas muito boas e corri em direção ao moço mais alto que já se agachava para me pegar. Eles me levaram para o apartamento deles e quiseram me chamar de Clarice, pois eles haviam acabado de assistir a uma peça teatral chamada Simplesmente Clarice, com a atriz Beth Goulart. Eu não entendi o motivo deles quererem me chamar com um nome de mulher se eu era um menino. Mas não reclamei.

Aquele moço mais alto, e que hoje em dia se tornou o pai mais maravilhoso de todo o mundo, me levou para o banheiro e começou a dar banho em mim. Eu tinha muita pulga. Do lugar que vim tinha muita sujeira. Quando ele me virou de barriga para baixo e viu que eu era menino já mudou logo meu nome para Lispector. Eu não reclamei em momento algum do banho. Foi um grande alívio poder me livrar de todas aquelas pulgas que escorriam pelo ralo do banheiro. lispector-historias-de-adocao-gatos-2

Depois do banho, eles me secaram com o secador e me deram um leite gostoso para beber. Naquele dia eu dormi muito feliz. Tinha certeza que seria um lar bom para eu poder morar. No outro dia eles me levaram ao Pet Center Marginal. Era a primeira vez que eu ia a um shopping. Compraram comida boa para mim, me vacinaram e me deram uma coleira. O carinho e cuidado foram aumentando cada dia mais.

Hoje só posso agradecer a Deus por ter tido uma oportunidade tão boa na minha vida e pais tão maravilhosos. Adoro passear de carro e ir no Ibirapuera comer mato. Tenho tudo que alguém poderia querer. Amo muito meus pais!!!!

 


Vagno Fernandes é o humano do Lispector e Anubis. Ele é arquiteto e adora gatos.

 

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