Uma gatinha realmente especial

Em um dia muito quente, achei um canto pra ficar quietinha. Estava tão desnutrida e fraca, que não percebi que era um local perigoso, no meio-fio de uma avenida, bem na borda do bueiro. Senti que uma humana passou por mim, como muitas outras e foi embora, mas eu não imaginava o que estava por vir…

Para minha surpresa, dentro de minutos essa humana voltou, me pegou com cuidado e colocou dentro de uma caixa. Eu ronronei muito, nem tive medo. Já sabia que ela cuidaria de mim.

No entanto, percebi sua apreensão, pois não poderia me levar para casa naquela hora. Então fui acomodada em uma construção abandonada, perto da casa dela, com água e ração úmida e naquela noite eu dormiria ali. Depois eu soube, porque ela ama contar a nossa história, que estava planejando como me ajudar, pois na casa já tinha outras gatas, e não tinha lugar para mim.

ronron-antes

No dia seguinte, quando ela voltou, eu estava sendo alimentada por outras pessoas, mas que não tinham intenção de ficar comigo. Então fui colocada em outra caixinha e fui para casa dela.

Chegando lá a primeira coisa que me fez foi dar um banho morno, pois eu estava suja e com um cheirinho nada bom. Que apuro passei, sem forças nem pro meu próprio banho de língua diário!

E foi durante esses primeiros cuidados que, enfim, ela percebeu que eu era uma gatinha realmente especial… uma gata cega e idosa!

O quartinho das outras gatas foi deixado só para mim, para o período de adaptação. Fui atendida por um veterinário, recebi as devidas vacinas, medicações e a confirmação da minha cegueira. Nos atendimentos demonstrei que apesar de não enxergar, posso ser muito brava quando necessário. Arranhei e me esperneei muito, hihi…

Depois de um longo período de cuidados intensivos, fui me adaptando, conquistando meu espaço e respeito junto às outras gatas, que até hoje implicam um pouco comigo, mas eu nem ligo. Já conheço toda a casa, sei onde me esconder quando quero e durmo na cama da humana, que agora também chamo de minha. Além do mais, uns dois meses depois, apareceu a filhote Filó, que também foi acolhida, e hoje é minha melhor amiga, a gente brinca e se dá muitos banhos de carinho também.

E porque ronronei muito ao ser resgatada, já no nosso primeiro contato, ganhei o nome de Ronron. Acho que combina comigo, pois hoje sou uma gata gorda muito feliz, cheia de ron ron ron pra dar!

ronron2.-depois


Stephani Guerra mora com uma turma do barulho de cinco gatinhas e uma cachorra, tem 29 anos, apoia a adoção responsável, a castração para evitar o abandono e tem o hábito incurável de cumprimentar todos os bichos que vê na rua.

 

#AmorAoPrimeiroRonron é uma sessão de histórias enviadas pelos leitores para incentivar a adoção e amor pelos miaus. Quer compartilhar sua história também? Clique aqui!

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