Gato doméstico ou gato feral: você sabe a diferença?

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Antes de mais nada, os termos…

Selvagem: é o animal que não foi selecionado pelo homem e vive em estado selvagem na natureza.

Doméstico: é o animal cuja espécie descende de um ancestral selvagem (como os cães dos lobos) mas que passou por uma seleção artificial para conviver conosco. Esses animais apresentam diferenças significativas em seu comportamento, anatomia e genética em relação aos ancestrais selvagens. Por isso, muitos tornam-se dependentes das pessoas e têm dificuldade em sobreviver sozinhos, são os cachorros, cavalos, vacas, galinhas, porcos.

Domado: é um indivíduo de uma espécie selvagem que foi domado para tolerar e obedecer aos humanos. A doma é extremamente contra sua natureza e tem o único propósito de torná-lo um servo para fins humanos, seja exibição em um zoológico, apresentação em circos ou confinamento como animal de estimação. Devido à crueldade e agressividade do processo, esses animais frequentemente ficam com sequelas físicas e psicológicas para o resto da vida, desenvolvendo comportamentos compulsivos, automutilação, agressividade, canibalismo, depressão.

Feral: é o termo emprestado do inglês que designa um indivíduo de uma espécie doméstica que nunca conviveu com seres humanos e, por isso, retornou ao seu estado selvagem. Ele pode ter sido abandonado muito jovem ou ser filho de um animal doméstico que foi abandonado e, portanto, cresceu sem contato com pessoas, aprendendo a temê-las e sobreviver sem ajuda (afinal, a nossa espécie é realmente a maior ameaça).

 

E os gatos com isso?

Os gatos são considerados animais “semidomésticos”, já que optaram por viver perto das pessoas mas não passaram por uma seleção artificial como a dos cães. Isso quer dizer que eles, em sua maioria, gostam de conviver conosco e adoram uma caminha quentinha, mas também mantém seus instintos selvagens. O DNA deles, inclusive, é muito semelhante ao DNA de seus ancestrais selvagens, o gato selvagem africano (leia sobre eles aqui) – ao contrário dos cães, que têm o DNA muito diferente dos lobos.

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E então, doméstico ou feral?

Animais abandonados depois de grandes, que já conviveram com humanos, podem se tornar ariscos por experiências ruins e medo. Isso não significa necessariamente que eles retornaram a um estado feral e nem que eles saberão se virar bem na rua. Eles normalmente estão sozinhos, perdidos, com aspecto de medo e desnorteados. Esses animais podem ter a tendência a confiar mais facilmente em alguém que os trate bem, aceitando o contato com o tempo. Neste caso, a melhor opção é que sejam adotados como animais de estimação.

Por outro lado, por causa do grande número de abandonos, muitas gatas acabam tendo seus filhotes na rua e eles crescem em um estado feral. Gatos ferais normalmente vivem em colônias (grupo de gatos) em territórios fixos, possivelmente perto de parques ou espaços arborizados onde possam se esconder e caçar. Esses animais costumam ter medo de pessoas e são ariscos, evitando contato físico com humanos.

Se o animal feral não está correndo riscos imediatos (não está machucado nem doente) e vive bem em sua colônia, não existem motivos para prendê-lo e tentar domesticá-lo à força. A rua oferece muitos perigos, mas por manter seus instintos selvagens esses gatos têm grandes chances de sobreviver e se sentirão melhor na colônia do que na casa de uma pessoa. É muito provável, inclusive, que ele nunca aceite a domesticação e acabe por viver em stress constante se for preso em uma casa.

O que você pode, e deve fazer se tiver a oportunidade, é capturá-lo, castrá-lo e devolvê-lo à colônia, evitando o aumento da população de animais na rua. E, claro, ele pode tirar bom proveito de um potinho de ração e água fresca. Com o tempo, ele mesmo pode optar por se aproximar e, talvez, até conviver com você. Caso não, a escolha é dele e devemos respeitá-la.

Se quiser saber mais sobre isso, clique aqui.

 

Foto: Marina Del Castell

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