Carta aberta à pessoa que deixou essa cachorra amável para morrer no abrigo

26/07/2014=^.^=

Você não me conhece e, para o seu bem, é melhor rezar para nunca passar pela desventura de me encontrar.

Como eu sei quem você é? Porque as pessoas do Controle de Animais me deram a ficha de admissão da Cocoa (Cacau). Você sabe, a ficha que você preencheu. Aquela que diz que a Cocoa tinha 12 anos de idade e que você tinha sido a família dela esse tempo todo. Aquela que dizia que você estava se mudando para um apartamento que não permitia cães e que você não poderia levar junto sua companheira fiel de 12 anos. Sabe, a cachorra que você escreveu que é “uma doce menina idosa – uma companheira incrível”. A ficha que você disse que não tem muitos recursos.

A questão é que eu estou escolhendo não por seu nome aqui, mas eu sei quem você é. Eu poderia lhe chamar de vários outros nomes, nenhum dos quais você ia gostar muito. Quando vi a foto da Cocoa no site do Controle de Animais, quando vi aquele focinho branco e li a descrição que seus humanos, sua família de 12 anos, haviam abandonado-a no canil – aquilo quebrou meu coração.

Eu tive uma cachorra que era tão difícil que se meteu em problemas por morder uma criança que estava mexendo nas suas orelhas. Quando a prefeitura reteve minha cachorra por 48 horas, eu estava totalmente preparada para abandonar minha casa, os estudos, largar tudo no meio da noite, tudo MENOS minha cachorra. Ia dar uma de Telma & Louise para fora da cidade. Eu não estava de brincadeira. Porque é assim que eu funciono. Nenhum cachorro fica para trás.

Então quando vi a foto da Cocoa, simplesmente não consegui entender como alguém pode abandonar um membro da família. E minha empatia por ela me consumiu, até que tomei a decisão e corri para o abrigo para adotá-la.

Agir primeiro, se arrepender depois. Esse é meu lema.

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Quando peguei a Cocoa, eu estava com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo. Estava muito doente, mas fui buscá-la mesmo assim, porque estava preocupada que ela devia estar apavorada e poderia ser eutanasiada. Eu estava preocupada de ela estar sozinha e com medo, procurando em todo lugar por sua família. Não pude suportar esse pensamento – e ela nem era minha cachorra.

Levei dois dias de antibióticos para perceber porque a Cocoa poderia ter sido largada no canil. Alguma coisa me diz que a Cocoa não virou incontinente em uma semana, o tempo entre você abandoná-la e eu trazê-la para casa.

Levamos semanas, mas finalmente conseguimos descobrir a dose certa de remédio para controlar um pouco a incontinência dela. Eu estava feliz, a Cocoa estava feliz, e a casa estava limpa de novo.

Mas não durou muito. Poucas semanas depois, ela teve uma pancreatite aguda. Isso significa que ela precisou de antibióticos e comida especial, uma ração úmida que me custou U$ 2,55 a latinha, e ela comia fácil duas latinhas por dia. Mas essa não foi nem a pior parte da visita ao veterinário. Você provavelmente sabe o que eu vou falar em seguida, não é? Sobre os tumores?

Eles não tinham certeza se eram os tumores que estavam causando a pancreatite, então decidimos que “esperar para ver” era o melhor plano.

E eu me convenci cada vez mais que você abandonou um membro da família porque você sabia que ela estava doente. Você sabia que ela tinha câncer, e não podia custear o tratamento nem ajudá-la. O que me incomoda é que você nem se preocupou em dirigir 20 minutos a mais até a Humane Society, um abrigo que não mata. Ou mesmo levá-la para o veterinário e acabar com o sofrimento dela com você por perto para confortá-la.

Então a cada semana eu tinha que comprar comida cara para a Cocoa, o membro da família que você despejou no canil. A cachorra que você abandonou. E a cada semana eu comprava pílulas para incontinência para ela. Descobri que fraldas extra-grandes serviam bem, depois que eu cortava um furinho para passar o rabo.

E nós esperamos.

Enquanto isso, a Cocoa foi para as montanhas. Ela deslizou por um barranco pequeno, ela viu veadinhos. Ela se divertiu tanto! Ela se empolgava e queria brincar com meus outros cachorros logo depois de comer. Acontecia toda noite. Ela era tão fofa. Meus meninos a amavam e aceitavam, da mesma forma como aceitam toda história triste que eu trago para casa comigo. Eles até deixavam ela dormir na rede toda noite se ela quisesse.

Nas manhãs de domingo eu deixava todos os cachorros subirem na cama comigo por um tempo. A Cocoa adorava essas manhãs. Ela gostava de ser incluída. Algumas vezes tinham os três cachorros e os dois gatos comigo na cama. Ela adorava.

Mas esse tempo todo, os tumores ainda estavam lá. E cirurgia não era uma opção.

Essa semana a barriga da Cocoa começou a inchar. Eu fiquei esperando diminuir mas não diminuiu. Ontem fomos tirar raio-x e descobrimos que as massas eram grandes demais, e sua barriga estava tão cheia de fluídos que não dava para ver os órgãos. Poderíamos tentar diuréticos para tirar os fluídos, mas seria só um Band-Aid. Aquilo não ia passar. E eu não queria que os últimos dias da Cocoa fossem de preocupação por ter sujado a casa de novo. Você vê, essa é a diferença entre nós. Eu me importava com o que a Cocoa estava sentindo. Eu podia olhar nos olhos dela e ver o stress quando ela tinha acidentes na casa.

Então não entramos com a medicação. Eu trouxe ela para casa e pensei em lhe dar algumas boas últimas semanas. Eu poderia mimá-la e fazer ela se sentir como a grande dama que ela era.

Mas não foi assim que aconteceu. Hoje foi o último dia da Cocoa.

A questão é que em vez de morrer num chão gelado de um canil gelado cheio de gente que poderia ou não se importar com ela, ela morreu nos meus braços. Eu segurei a cabeça da sua cachorra no meu colo e sussurrei na orelha dela enquanto ela ia embora. Eu disse para ela o quanto ela era uma boa menina. Contei o quanto eu a amava enquanto agradava aquele ponto logo acima do seu olhinho.

Eu me certifiquei de que ela soubesse o quanto era amada. Quis ter certeza de que meu rosto seria o último que ela veria, e minha voz a última que ela ouviria.

Você pode estar se perguntando por que estou te contando isso. Deve estar achando que eu só queria te dizer que a Cocoa estava bem.

Eu gostaria de arrancar essa idéia da sua cabeça. Estou escrevendo essa carta para você saber o quanto eu te acho um pedaço de m****. Se você chegar a ler esta carta, saiba que, assim como meus amigos amantes dos animais ao redor do mundo, eu te acho a escória da escória. Você não pega um cachorro de 12 anos, uma “uma doce menina idosa – uma companheira incrível”, e despeja num canil da prefeitura com altos índices de eutanásia. Você nem deu uma boa chance para ela.

Ela teve sorte o dia que eu vi a foto dela porque, deixa eu te contar uma coisa, meus animais não carecem de nada.

E para todas as pessoas lendo isso que “conheceram” a Cocoa Loco, todos seus amigos ao redor do mundo, aqui termina a história dela.

*Traduzido da original de Jamie White postada no Hunffington Post