É certo domesticar um gato feral?

Ver animais sem família dá um aperto no coração, mas será que é certo domesticar um gato que nasceu nas ruas? Veja o que diz o expert Jackson Galaxy.

feral

A Humane Society recomenda que o animal seja recolhido, castrado e devolvido. O que já ajuda muito a diminuir o problema. Mas para nós que temos pena desses gatos, a ideia de resgatá-los e domesticá-los para que tenham uma família é um grande tentação.

Jackson Galaxy, do programa Meu Gato Endiabrado, conta que tem três gatos ferais morando perto dele, e a porta está sempre aberta para eles. Pode até ser que eles entrem, mas será quando eles quiserem e porque querem.

 

O que são gatos ferais?

São gatos que nasceram nas ruas. Eles nunca viveram com humanos e têm um comportamento esquivo muito mais parecido com o de onças e leões do que com nossos gatinhos domésticos. Eles vivem em colônias (daí a importância da castração) e podem atacar humanos caso se sintam acuados. Eles não vêm a gente como os nossos gatos vêm – afinal até o mais reservado dos gatos domésticos gosta de um carinho ou companhia humana.

 

É possível domesticar um gato feral?

De acordo com Jackson Galaxy, depende do gato. Ele diz que tudo mundo tem uma teoria própria sobre a idade limite para a domesticação. Algumas pessoas dizem que três meses já pode ser tarde demais.

Ele também ressalta que os gatos têm personalidades próprias. Dois da mesma ninhada podem reagir diferente a uma tentativa de domesticação, um pode ser socializado com sucesso e o outro nem passar perto disso. Ele diz que nunca conseguiu que nenhum gato feral com mais de cinco anos entrasse em sua casa.

E aí surge o termo “feral com casa”. Eles não são domésticos, porque não estão totalmente integrados à família gato-humana, mas eles podem conviver perto de pessoas.

 

Existem experts que podem ajudar?

Galaxy bate o pé nessa questão. Qualquer um que diga que é um domesticador de gatos está escondendo alguma coisa. Mas isso não quer dizes que ele não possa ajudar.

 

Como se aproximar de um gato feral?

Confiança leva tempo. E Jackson confirma. Não chegue perto demais, mas incentive o gato a vir usando comida. Tenha certeza de que ele tem uma rota de fuga, ou você pode acabar com arranhões e mordidas. Não olhe-o nos olhos, não tente enganá-lo e fique com as mãos quietas, nada de tentar agradá-lo.

 

Eles podem ser socializados com pessoas?

Galaxy diz para tentar o que ele chama de “hora de ler para o gato feral”. Você está num cômodo com o gato, bloqueie as saídas. Coloque a comida no chão perto o suficiente para que o gato possa alcança-la, mas longe o suficiente para que ele tenha que andar um pouco até ela.

“Fique encolhido”, ele continua, “coloque seus joelhos no peito ou sente com as pernas cruzadas. Traga um jornal ou um livro e leia em voz alta. Basicamente, você está contando uma história para o gato. Finja que ele é uma criança – use sua voz mais suave. Mantenha os olhos abaixados para evitar que o gato sinta-se ameaçado. Para ele, você é a voz imóvel sem mãos e sem olhos que traz comida. Lembre-se: gatos ferais veem as pessoas como predadores, seu objetivo como contador de histórias é mudar essa imagem.”

Galaxy ainda diz que se o gato resistir demais, é melhor desistir. Não dá para mudar as listras de um tigre.

 

E se você não conseguir domesticá-lo?

Se a tentativa não deu certo, castre o animal e, depois de recuperado da cirurgia, devolva-o para onde o encontrou. Gatos ferais não são maus, apenas diferentes. Como diz o Galaxy, “um dos meus objetivos é ensinar os outros a apreciar, amar e valorizar gatos ferais comunitários pelo que eles são, não pelo que gostariam que eles fossem.”

 

Fonte: SheKnows

Foto: kenclarews

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