Como realmente ajudar um animal abandonado

ajudar animais abandonados

Em algum momento da vida, todos nós vamos encontrar um animal abandonado e sentir o desespero de querer ajudar e não saber como. Infelizmente não existe um lugar para o qual possamos ligar para o animal ser recolhido e encaminhado para tratamento e adoção. Para salvá-lo, temos nós mesmos que pôr a mão na massa.

 

Se você pode resgatar e fazer lar temporário…

Fazer lar temporário significa abrir seu coração e sua casa para tirar o animal da rua e acolhê-lo na sua casa até que ele encontre um lar. É o gesto mais nobre a ser tomado que pode ser a diferença entre a vida e a morte daquele animal. Você inclusive pode oferecer para ser lar temporário de animais resgatados por ONGs ou outras pessoas.

O primeiro passo, e o mais importante, é descobrir se ele não tem família. Pergunte na vizinhança antes de levar o animal e deixe seu contato caso alguém apareça procurando. Depois de levar o animal para casa, divulgue nas redes onde ele foi encontrado e, se possível, coloque cartazes de “encontrado” no bairro onde o pegou.

Depois você pode passar para o processo de resgate e doação/adoção.

  1. Contenção: se o peludo estiver assustado, use uma caixa de papelão, toalha, camiseta, cinto, cadarço. Mas não prenda gatos assustados pelo pescoço, eles podem se enforcar.
  2. Transporte: caso não tenha carro e não possa ir de ônibus, peça carona nas redes sociais, sempre tem alguém para ajudar com isso, ou chame um taxi-dog, Uberpet ou táxi comum (avise que está levando um animal).
  3. Controle de pulgas e carrapatos: de preferência faça isso antes de ir para casa ou logo que chegar, evitando que se espalhem ou passem para seus próprios animais. Existe um comprimido chamado Capstar que elimina as pulgas em meia hora e sai mais em conta que as pipetas e spray, embora ele não previna novas infestações é uma boa opção para emergências.
  4. Isolamento: nunca coloque animais retirados da rua em contato direto com os seus! Isso é fundamental para proteger seus peludos de parasitas e doenças. Prepare um espaço isolado (lavanderia, banheiro, quarto sobrando) e lave as mãos sempre que tiver contato com o peludo resgatado.
  5. Consulta: se puder, leve o animal ao veterinário, mesmo que ele pareça saudável. É sempre bom fazer exames de sangue num caso de resgate, e testes de FIV/FeLV em gatos (Não sabe o que são FIV e FeLV? Clica aqui!). Quando o peludo estiver bem, você poderá vaciná-lo.
  6. Vermifugação: é importante porque o animal muito provavelmente terá adquirido vermes na rua. Vermífugo não é caro, mas eles são diferentes para filhotes, cães e gatos, consulte um vet.
  7. Castração: não adianta doar um animal para depois ele gerar uma ninhada toda de peludos sem casa. Faça o possível para castrar o animal antes ou depois de doar (busque o animal e leve você mesmo na clínica para garantir). Uma ONG poderá te indicar veterinários que fazem um valor social, mas se mesmo assim não tiver condições financeiras, tente agendar uma castração em programas do governo ou peça um padrinho para castração nas redes sociais. Em último caso, exija que o adotante castre. A idade mínima média para castração é 5 meses.
  8. Divulgação para doar: não adianta divulgar fotos tremidas, escuras, com mãos na frente, num piso sujo, você precisa tirar excelentes fotos do peludo que ressaltem a beleza dele (veja dicas aqui). Escreva um texto curto, bonitinho, criativo e honesto sobre o animal. Não adianta contar a história toda – ninguém lê textos longos e isso dificulta a doação. Informe idade aproximada, sexo, castrado/vacinado ou não, situação de saúde. Por fim, dê um toque pessoal, pense “o que torna esse animal único?”.
  9. Escolha do adotante: existem muitas pessoas mal intencionadas que mentem para fazer maldades e, principalmente, muitas pessoas sem conhecimento que adotam com boas intenções mas não têm como oferecer o que o animal realmente precisa. A melhor opção é sempre dizer que existem outros interessados e que você está passando um questionário (existem vários modelos na internet) para decidir qual o lar mais adequado. Caso tenha dificuldade em dizer não, uma dica é falar que você não é a única pessoa responsável pela doação do animal e que a decisão de não doar não foi sua.
  10. Entrega do animal: faça o possível e impossível para entregar o animal na casa da pessoa, assim você analisa o ambiente, confirma o que foi dito no questionário e sabe onde o animal vai ficar. É sempre bom pedir para a pessoa assinar um Termo de Adoção (também tem modelos na internet), assim você terá um respaldo legal para pegar o peludo de volta caso algo dê errado. É importante visitar ou pedir fotos por alguns meses – e é recompensador também :)

como resgatar animal abandonado

 

Se você pode resgatar mas não pode levar o animal para casa…

Tem a opção de procurar alguém para fazer lar temporário ou deixa-lo numa hospedagem, que são como hotéis para animais, você paga uma mensalidade e alguém aloja o animal para você – ONGs e protetores da sua cidade saberão indicar quem faz esse serviço e você também pode perguntar em veterinários e grupos no Facebook. Nesse caso, os passos são basicamente os mesmos do item acima: você ainda é responsável pelo animal e se compromete a encontrar um lar definitivo.

 

Se você pode resgatar mas não tem condições financeiras para o tratamento ou hospedagem…

Faça uma campanha nas redes sociais, no seu trabalho ou faculdade. Faça uma rifa, nem que precise pedir doação de prêmios. Faça um brechó das coisas que você não usa. Existem muitas pessoas de bom coração e quando resgata um animal você não está sozinho!

resgatar gato da rua

 

Se você não pode resgatar…

Se por algum motivo você não pode mesmo recolher o animal da rua, é hora de pedir ajuda. Essa deve ser a última opção, porque como sabemos existem muito mais pedidos de ajuda do que pessoas dispostas a ajudar.

Para aumentar as chances do animal ser resgatado, consiga o máximo de informações possíveis e não abandone o caso: diga o que você pode fazer! Isso faz toda diferença. Ofereça para ir junto, ofereça carona, ajuda financeira, doe a castração, alimento. Se for bom com artesanato ou culinária, doe algo para arrecar fundos. Se souber diagramar, ofereça para fazer o cartaz. Se for bom fotógrafo, para fotografar.  Quando todo mundo se ajuda, as coisas acontecem.

resgatar animal rua

 

E se… você ligar para uma ONG ou Centro de Controle de Zoonoses?

Você muito provavelmente vai ouvir um “infelizmente nós não temos como resgatar”. ONGs de animais são nada mais que grupos de pessoas comuns e a maioria sequer tem estrutura para fazer resgates: estão super lotadas, com dívidas em veterinários, conta negativa no banco, falta de recursos, tempo e mão de obra para atender todos os casos. A maioria dos CCZs está na mesma situação e muitos só resgatam casos de maus tratos com registro de BO.

O que ONGs podem fazer é TE ajudar a ajudar: indicar veterinários parceiros, tirar dúvidas, recomendar hospedagens, divulgar o animal para seguidores. Justamente por serem formadas por pessoas comuns, elas sabem o passo-a-passo de como pessoas comuns podem fazer o resgate.

ajudar animal rua

 

E se… você só compartilhar a foto do animal abandonado no Facebook, ajuda?

Que pode ajudar, pode. Compartilhando casos no Facebook você dá visibilidade para os animais e isso é muito importante, porém, além de os casos serem muitos e um pior que o outro, se todo mundo só compartilhar, o animal continua na mesma. Em algum momento alguém precisa tomar a atitude de ir até o animal e resgatá-lo.

E quem vai fazer isso não é nenhuma fada madrinha com varinha de condão e poderes mágicos. São pessoas comuns, pessoas que trabalham, têm suas rotinas corridas, seus próprios filhos peludos, sua casa com espaço limitado e contas a pagar. Para os animais, todos podemos ser a fada madrinha. E se todos formos, nenhum peludo mais vai passar fome, frio e medo na rua.

adocao

 

Fotos: Neal Fowler, GB, Lisa, sylviallyan, cnseikaiye, Dan Nelson.

Comentários desativados.