Ajude seu pet a superar o medo de fogos

Imagine essa situação: você não sabe o que são fogos, nunca ouviu falar, nunca viu um show. Está em casa, na tranqüilidade, e de repente começam explosões e sons altíssimos, tão perto quanto na casa da esquina. Você sai para ver o que é e só tem vislumbres de luzes fortes e fumaça. O cheiro de coisa queimada enche seu nariz. Parece o fim do mundo?

Parece. E é assim que os cães e gatos vêm um show de fogos. Eles não sabem o que é, eles viviam em ambientes hostis na natureza e seu instinto de sobrevivência liga uma sirene de emergência quando escutam esses barulhos fora da normalidade. (ah, e lembre-se que eles escutam muuuuito mais do que a gente, e num espectro muito mais amplo)

Então como fazer eles entenderem que não estão em perigo e que não têm motivo para ter medo? Vamos por partes:

 

Primeiro de tudo, segurança!

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– Coloque uma plaquinha de identificação na coleira do pet. Não tem tempo para gravar uma? Escreva o nome dele na própria coleira! Se alguma coisa der errado, essa será a melhor chance de ele de voltar para casa! (para ver como fazer plaquinhas caseiras sem gastar nada, clique aqui)

– Se ele tiver problema cardíaco, visite o vet. Animais também sofrem de infarto, principalmente os velhinhos.

– Arrume um quarto pequeno e seguro para ele. Tranque todas as janelas (mesmo que tenham tela), tire objetos que quebram do ambiente (porta-retratos, vasos) e deixe aparelhos elétricos fora da tomada para evitar choques. Certifique-se de que não tem nenhum vão onde o animal possa ficar preso e nenhum gancho que possa segurar a coleira dele. Cuidado também com quinas e objetos pontudos onde ele possa bater.

– NUNCA acorrente seu animal. Nunca. Nunca. É muita crueldade, coloque-se no lugar dele. Não importa que a corrente corra por um arame, imagina um tranco no pescoço toda vez que você tenta fazer o que é mais natural para os cães: correr e pular. Então, NUNCA acorrente um animal. E muito menos em caso de fogos. Existe uma chance altíssima de o pet se enforcar, cortar o pescoço, sofrer um trauma ou de estourar a corrente na hora do pânico.

 

Antes dos fogos

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– Tente acostumar o pet com o som de fogos. Coloque um vídeo do youtube ou baixe o barulho aqui (clique com o botão direito no link e em salvar como: Opção1 Opção2). Deixe o som baixinho enquanto você alimenta o animal, dá petiscos e brinca de bolinha ou brinquedo interativo com corda (no caso dos gatos) – mas se ele começar a demonstrar medo, pare. Abaixe mais ainda o som e tente novamente. Aumente o volume gradativamente e, se puder, repita o exercício aumentando o som dia após dia. Quanto mais tempo você dedicar a isso, melhores os resultados.

– Não alimente o animal por pelo menos duas horas antes e depois dos fogos. Sabe aquela história de o estômago virar? Pois é, acontece. Chama-se torção gástrica e costuma ser letal.

– Para gatos, existem produtos naturais que ajudam muito a acalmar o bichano. Um deles é o Calmyn Cat, um suplemento protéico, que deve ser administrado dias antes da situação de stress. O outro, um pouco mais caro, mas realmente fantástico e super-funcional é o Feliway – um ferormônio sintético igual ao que os gatos liberam em situações de calma, ou seja, é uma maneira de falar “está tudo tranqüilo, relaxa” em língua de gato. Também deve ser administrado dias antes (no mínimo dois, mas o ideal são sete), ele vem em forma de spray ou difusor de tomada.

– Para cães, dependendo do nível da fobia, pode ser necessário dar uma medicação ou tranqüilizante. Existem também ferormônios equivalentes ao Feliway, eles vêm em forma de coleira difusora, mas são raros no Brasil. Converse com seu veterinário e veja a melhor opção para o porte e situação do animal.

 

Na hora dos fogos

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– Ignore o comportamento desesperado. Não dê petiscos, não pegue-o no colo, não faça carinho e não fale com ele em tom de criança – ele verá isso como recompensa e vai manter o comportamento. Também não adianta gritar e dar bronca, afinal, ele está com medo – imagine que você está enfrentando uma fobia (medo de aranhas e baratas, por ex) e alguém fica gritando com você. Piora tudo, não é?

– Finja que nada de mais está acontecendo. Pegue o brinquedinho preferido do pet e comece a brincar, mesmo que ele não venha logo de cara. Tente distraí-lo o máximo possível.

– A parte mais difícil também é a mais importante: acalme-se. É desesperador ver nosso amigo com medo, mas temos que respirar fundo várias vezes e relaxar o corpo. Eles sentem todas as nossas emoções por meio da nossa expressão corporal e energia. Se estiver difícil se acalmar, saia do cômodo (cuidado para o pet não escapar!) e deixe alguém mais tranqüilo no seu lugar. Beba uma água, feche os olhos por alguns segundos e volte. Isso fará toda a diferença.

– Alguns animais respondem bem à música e vários estudos já comprovaram a eficácia da musicoterapia para animais. Faça o teste alguns dias antes para saber como seu amigo reage. Se ele gostar, coloque uma música relaxante antes e durante os fogos.

– Por fim, você pode tentar abafar o som dos fogos colocando chumaços de algodão nas orelhinhas do pet. Só que se ele se incomodar demais, retire para evitar mais stress.

 

Recomendações finais….

Animais têm fobias, assim como as pessoas. Se nenhuma das dicas acima ajudou seu amigo, pode ser melhor ir atrás de um tratamento profissional – com adestradores, especialistas de comportamento ou até veterinários (sabia que animais também tomam antidepressivos e controladores de ansiedade?). Uma terapia profissional pode ajudar vocês dois a terem uma vida melhor!

Já colocou a identificação na coleira do seu amigo?

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Fotos: latteda, villaninv, StephenMitchell e weborican

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