Porque você NUNCA deve usar spray de água em gatos

O spray de água se tornou um método muito popular de treino após a divulgação em programas de TV sobre adestramento de cães. Porém, mais uma vez, o senso comum tentou extrapolar informações populares para uma espécie completamente diferente, os gatos. E o resultado não podia ser mais desastroso.

O spray é normalmente utilizado quando o animal tem um comportamento indesejado, como destruir algo, morder, subir no balcão da cozinha, fazer necessidades fora do lugar. Não entrando no mérito de seu uso com cães, em gatos o spray de água só consegue três resultados:

 

1. Irritar o gato e causar mais problema.

Gatos não gostam de ser contrariados e um gato contrariado só vai tentar conseguir o que quer com mais afinco. É assim que o comportamento deles foi moldado na natureza, onde persistência pode ser questão de vida ou morte. Irritá-lo, além de desnecessário e cruel, pode fazer com que o comportamento se intensifique ou que ele lide com a frustração de outras formas indesejadas.

 

2. Incentivar que ele faça o comportamento errado escondido.

Ao ser borrifado, o gato, que não é nada bobo, segue a seguinte lógica: “Se eu faço isso na frente do humano, levo água na cara. Então vou fazer sem o humano ver.”

 

3. Mostrar que você é agressivo e que não merece confiança dele.

Tomar um jato de água é algo muito, muito agressivo para qualquer um, mas principalmente para animais que odeiam água (leia aqui sobre isso). Logo, em vez de associar você com o humano carinhoso que dá colo e carinho, o gato vai associá-lo ao humano agressivo que o traumatiza e irá se afastar.

 

E são apenas esses três únicos resultados que o spray consegue alcançar. Ele nunca, em situação alguma, vai ensinar o que não fazer. Mas não se preocupe! É possível sim fazer o gato parar de destruir algo, morder, subir no balcão, sujar a casa. Gatos aprendem com muita agilidade e facilidade, mas é necessário saber ensiná-los com uma linguagem que eles entendam.

E a linguagem que eles entendem é a do SIM. Em vez de focar naquilo que ele não pode fazer, é necessário focar no que ele pode. Ou seja, compreender o que causa o comportamento indesejado e redirecioná-lo.

Por exemplo, se o problema é arranhar o sofá, o gato está demonstrando sua necessidade natural, básica e fundamental de arranhar. Então é necessário oferecer um local adequado para ele suprir essa necessidade (um arranhador atraente e bem posicionado) e tornar indesejado o local inadequado (temporariamente cobrir com papel alumínio, plástico, fita dupla-face). Assim você estará dizendo em linguagem de gato: o arranhador é bacana, o sofá é chato. E o gato vai entender e vai direcionar o comportamento para o local certo, sem briga, sem agressividade, sem trauma, sem stress.

Para cada comportamento indesejado, existe uma técnica semelhante de redirecionamento. Algumas mais universais, outras que devem ser pensadas para cada gato específico. Afinal, cada gato é um gato. Abaixo você pode conferir links de algumas dicas para lidar com os problemas mais comuns:

– Morder o calcanhar

– Necessidades fora do lugar

– Borrifar xixi

– Arranhar os móveis

– Fazer bullying com outros gatos

– Miar excessivamente

Subir no balcão da cozinha

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Foto: Taylor Bennett

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