Gatos e os felinos selvagens do Brasil

Os gatos são considerados animais semi-domésticos, mantendo muitas similaridades com seus primos selvagens. Muito além do leão e do tigre, a família se estende para todos os continentes e o Brasil tem alguns dos felinos selvagens mais fascinantes do mundo. Conhecê-los é apaixonante e pode ajudar a compreender melhor a mente (tão misteriosa) dos pequenos que dividem a casa conosco – o que é importantíssimo para o bem-estar deles (entenda aqui o porquê).

Onça-pintada, jaguar ou pantera(Panthera onca)

O maior felino das américas está no topo da cadeia alimentar, não sendo predado por nenhum outro animal a não ser o homem. Exceto por grupo de mãe e filhotes, a onça-pintada é solitária e se encontra com outras apenas para se reproduzir. O macho controla um território bem maior que as fêmeas, demarcado por urina, fezes e marcas de arranhão nos troncos das árvores, e este território jamais é compartilhado com outros machos. Femêas podem tolerar áreas de seu território compartilhado, com outras fêmeas ou um macho, mas não interagem com as outras.

Um dos caçadores mais poderosos do reino animal, a onça pintada come presas grandes como capivaras e até jacarés, matando com uma mordida precisa no pescoço para sufocar a vítima ou perfurando diretamente seu crânio, já que a espécie tem a terceira mordida mais forte entre os felinos (atrás do tigre e do leão) e consegue romper até o casco de jabotis.

 

Onça Parda, Puma ou Suçuarana (Puma concolor)

A suçuarana também está entre os maiores felinos das Américas, chegando a incríveis 2,40 m de comprimento. É um animal solitário que interage pouco com outros da espécie e prefere viver em ambientes de alta vegetação ou rochas, evitando ao máximo áreas abertas. A fêmea tende a se reproduzir sempre com um mesmo macho e cria os filhotes sozinha, sendo que estes ficam com a mãe até dois anos antes de saírem para estabelecer seu próprio território.

 

Jaguatirica (Leopardus pardalis)

A jaguatirica é um felino médio, atingindo até 15 Kg e 1 m de comprimento. São ativas principalmente durante o crepúsculo e à noite e caçam presas menores, como roedores, aves, pequenos mamíferos. Embora sejam majoritariamente animais solitários, já foram observadas andando com outras mesmo fora dos períodos de reprodução e é comum que os jovens interajam com os pais. Elas tendem a urinar e defecar em lugares específicos que são compartilhados para este fim com outros da espécie (como uma caixa de areia gigante).

 

Gato-maracajá (Leopardus wiedii)

Com o tamanho de um gato doméstico, variando entre 3 e 6 Kg, o gato-maracajá tem uma técnica única de caçada: ele imita o som do filhote de sua presa, atraindo-a para perto antes de dar o bote. Excelente escalador, passa boa parte do tempo no topo das árvores e é o único felino (além do leopardo nebuloso) que consegue descer de cabeça para baixo pelo tronco de uma árvore. Ele prefere se locomover saltando de uma árvore para outra sem tocar o chão (como um gato prefere suas prateleiras na parede) e consegue se pendurar nos galhos usando apenas uma pata.

 

Jaguarundi ou gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi)

Jaguarundis podem ter de 3,5 a 7 Kg e, ao contrário da maioria dos demais felinos, são animais diurnos que preferem caçar no chão e têm corpo mais alongado. Seu nome deriva do tupi para “jaguar escuro”, uma referência à sua coloração mais usual, o preto, embora existam variações avermelhadas e marrons. Eles são ariscos e reclusos, motivo pelo qual sabe-se muito pouco sobre seus hábitos.

 

Gato-palheiro (Leopardus colocola)

Com pelo mais longo e avermelhado que os demais felinos da lista, ele pesa em média 3 Kg. Por viver em regiões frias, habita principalmente o Pantanal e o sul do Brasil, motivo pelo qual é chamado também de gato dos pampas. Eles predam principalmente roedores e eventualmente pássaros que ficam no chão.

 

Gato-do-mato (Leopardus tigrinus)

O gato-do-mato é o menor felino do Brasil. Pesando de 1,5 Kg a 3 Kg, ele é menor que um gato (semi-)doméstico e parece uma miniatura da jaguatirica e do gato-maracajá. Ele pode ter hábitos noturnos ou diurnos dependendo da disponibilidade de presas na região, e se alimenta de uma grande variedade de animais, de pequenos mamíferos, roedores e pássaros a invertebrados e até ovos e lagartos. Como os outros, ele é um caçador de espreita, que se esconde para dar o bote.

 

E o que eles e o gato doméstico têm em comum?

Tudo! São todos animais majoritariamente solitários, que podem eventualmente formar pequenos grupos; são caçadores de espreita que preferem viver em ambientes com vegetação abundante onde podem se locomover sem ser vistos; todos usam urina, fezes e principalmente marcas de arranhão (em troncos ou beiradas de sofá) para marcar o território – que defendem literalmente com unhas e dentes contra intrusos da mesma espécie. Os gatos domésticos têm ainda mais semelhanças com os felinos pequenos, já que além de predadores (como a onça-pintada e a suçuarana), eles também são presa, adotando comportamentos cautelosos para se manter seguros, como enterrar as sobras de comida (ou raspar o chão em volta do pratinho) e se manter em esconderijos no topo das árvores (ou do seu armário).

Cada espécie, porém, tem sua particularidade: a mordida poderosa da onça-pintada, a vocalização do gato-maracajá, a pelagem do gato-palheiro. A particularidade dos gatos domésticos… é que eles escolheram viver perto de nós! (saiba mais sobre isso, aqui)

 

Quer fazer algo por esses animais?

Você pode doar para organizações que oferecem santuário para animais resgatados de maus-tratos e trabalham para manter animais selvagens na natureza, longe de jaulas e zoológicos. Separamos algumas instituições maravilhosas abaixo para você conhecer:

– AMPARA Animal

Associação Mata Ciliar

NEX – No Extinction

– Instituto Pró-Carnívoros

Rancho dos Gnomos

 

Fotos: Martin Heigan, Kate, koldcommunities, Proyecto Asis, Pró-carnívoros, Pró-carnívoros, Phil Slosberg, jambox998.

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