O segredo da felicidade para os gatos

Já se perguntou o que faz um gato feliz? Sabemos que eles gostam de carinho, sachê, brinquedos de vara, caixas de papelão, túneis… mas o que realmente faz eles se sentirem bem no dia a dia vai além disso, e não é tão complexo quanto parece.

Na verdade, é bem simples: o que faz um animal feliz é viver sua natureza, é fazer o que ele foi feito para fazer. A natureza de uma onça, por exemplo, é viver na mata, patrulhando e marcando seu território, espreitando, caçando, escalando, nadando. Quando é impedida de fazer isso, como confinada num zoológico, a onça vive em constante stress e apresenta comportamentos compulsivos.

Gatos não são muito diferentes, exceto pela parte de nadar, é claro. Mas além de seu lado selvagem, muito parecido com os grandes felinos, eles também têm o lado doméstico: seu habitat se tornou as nossas casas e também faz parte da natureza deles interagir com as pessoas, recebendo carinho e atenção, além do conforto e segurança do ambiente doméstico.

Essa natureza dupla é o que torna agradar um gato muito mais difícil do que agradar um cachorro, por exemplo, que é um animal completamente doméstico. Ainda mais porque, por esse mesmo motivo, os gatos tendem a ser mais reservados com seus sentimentos, exigindo certa atenção do humano para que ele perceba os sinais de stress e descontentamento.

Por isso é importante conhecer bem a linguagem e as duas naturezas do gato, a fim de proporcionar a boa qualidade de vida que eles merecem. Pergunte-se sempre se seu gatinho pode fazer o que a natureza dele pede:

  • Ele tem o que escalar? O que marcar e arranhar?
  • Ele pode se esconder e espreitar as coisas?
  • Ele consegue patrulhar seu território com confiança, de cauda erguida e sem ser frequentemente incomodado por outros animais ou pessoas?
  • Ele tem a oportunidade de caçar brinquedinhos em movimento todos os dias? (Tipo de vara; as bolinhas e ratinhos estáticos são bons, mas não são suficientes.)
  • Ele tem onde dormir com conforto e sensação de segurança, sem incômodo de terceiros?
  • Ele pode tomar sol, sentir o vento, farejar o ar de fora?
  • Ele tem acesso à natureza? (Sem acesso à rua, ein! Como um catio, vasinhos de grama, catnip ou um jardim sensorial)
  • Ele encontra desafios que estimulam sua inteligência no dia a dia, como quebra-cabeças e novidades?
  • Ele recebe carinho e atenção da família humana? Ele tem companhia durante o dia?
  • Ele tem as necessidades físicas atendidas, como fome, sede? Está livre de dor, doenças e parasitas?
  • Ele tem uma caixa de areia grande e sempre limpa, que não precise dividir com outros gatos?

Essas perguntas são apenas alguns exemplos, um ponto de partida para ajudar nossa espécie a avaliar o ambiente e entender a natureza dos nossos companheiros felinos. Vale sempre ter a personalidade do gatinho em mente também, já que existem gatos que amam ficar no alto, por exemplo, e gatos que preferem as quatro patas no chão.

Também é importante estar atento aos sinais de stress, já que mesmo “fazendo tudo certo” o gato pode estar descontente com alguma coisa, afinal, ele é um ser único e tem suas próprias preferências. Veja aqui como avaliar o nível de stress em gatos.

Outro bom indicador são as cinco liberdades para o bem-estar animal, que você pode conferir aqui.

Fotos: André P. Meyer-Vitali e hehaden

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