É certo pegar um gato pelo cangote?

Ao contrário do que você possa ter ouvido, a resposta curta e direta é… NÃO! Absolutamente não! Pegar ou restringir um gato pela pele atrás do pescoço é um método arcaico que infelizmente continua sendo usado e divulgado pelo senso comum.

Novos estudos mostram que segurar o cangote do gato, mesmo que sem erguê-lo, é doloroso e muito estressante. Inclusive, quando a prática é mantida por mais que alguns minutos, pode até causar lesões.

Ou seja, o que normalmente era para ajudar a agilizar um procedimento acaba sendo muito pior e fazendo a consulta ou a hora do remédio se tornar mais demorada – e um verdadeiro pesadelo para o gatinho, traumatizando-o e dificultando as coisas para as próximas vezes.

Infelizmente muitos profissionais ainda usam o método nocivo de contenção, principalmente os não especializados (veterinários de cachorro, por exemplo), que não têm práticas cat-friendly, práticas pensadas para o gato. Cabe à família do gatinho observar e solicitar um manuseio mais carinhoso.

 

Mas não é assim que a mãe pega os gatinhos?

Sim, quando eles são bem bebezinhos pesando umas 300-900 gr, e mesmo assim por um período bem curto de tempo, apenas para muda-los de lugar em caso de perigo! Uma situação muito diferente de segurar um gato adulto no veterinário ou para restringir seus movimentos.

 

E como é a forma correta?

Uma pesquisa recente publicada na Applied Animal Behaviour Science comparou práticas de contenção de corpo inteiro (imobilizar o gato) com práticas de contenção passiva (deixar o gato o mais livre possível) e descobriu que a contenção de corpo inteiro causa até 8x mais stress e, por isso, a consulta ou procedimento leva o dobro do tempo. Com a contenção passiva, os gatos se mantêm mais calmos e tem 6x mais chances de continuar na mesa de exame após serem soltos, sem fugir em desespero.

Logo, a contenção passiva é a ideal. Tente deixar o gato andar por onde quiser, desde que o ambiente seja seguro e telado, e vá você até ele ou, no caso de uma consulta, peça que o veterinário examine ou administre a vacina onde o gato escolheu ficar. Pode ser na caixa de transporte sem tampa, no chão, numa mesa, numa prateleira… Ele precisa se sentir livre e pelo menos achar que pode sair a hora que quiser. Para mantê-lo no lugar, use atrativos carinhosos: um agrado no queixo, um petisco, um brinquedo que ele gosta, uma caminha/manta com cheiro dele.

Em situações extremas, de animais muito assustados ou agressivos, cujos procedimentos precisem ser realizados com urgência, um bom método é enrolar uma toalha em volta do gatinho. Apenas certifique-se de que esteja firme o suficiente para evitar mordidas e arranhões, mas também não tão apertada para não prejudicar a respiração do gato. E tente fazer o manuseio e a contenção durarem o mínimo possível.

 

Para mais dicas de como tornar a consulta menos estressante, leia este post aqui.

 

E para entender a importância de acostumr o gato à caixa de transporte, clique aqui.

 

Foto: WJ van den Eijkhof

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